Mistura do Brasil com o Egito | Correspondente internacional – Parte 2

Vem saber mais da segunda parte da Mistura do Brasil com o Egito, as aventuras da Gabi.

Estar em terras egípcias é um verdadeiro desbravamento dia após dia. Com paisagens e cenários dos mais variados, fica difícil escolher o mais bonito e, também, a realidade mais difícil de se viver.

Podemos começar falando da vida no “Cairo Downtown”, o ponto mais central da maior bagunça que se pode imaginar. Vendinhas por todos os lados com nomes em árabe sem o menor sinal de uma palavra em inglês, com pão libanês exposto por toda a parte e alguns vendedores de doces ambulantes, tentando equilibrar as bandejas sem proteção. De início, assustador.

Após a primeira semana, uma verdadeiro deleite de experiência. Não tem cardápio em inglês? Pede um Shawarma que não tem erro. Ou um Falafel, pra variar. Fã de carboidrato? Aposta num Koshary (macarrão com arroz, lentilha, milho, grão de bico). De doce, vicia no Konafa com queijo ou Nutella… Você não vai mais querer outra coisa. Ou se quiser um mais tradicional, pede qualquer coisa com Oreo. Se quiser se aventurar, que tal apontar pra um prato e só esperar pra ver o que vem? Dei sorte experimentando assim uma pizza com barbecue MARAVILHOSA e um pão sírio frito que jamais irei esquecer. De quebra até descobri um tal de queijo “Halloumi” que é praticamente o próprio queijo coalho. Lógico que nessa brincadeira de “experimentar o diferente” me deparei com estranhezas tipo a “Moloheya” – uma sopa verde com gosto OK mas uma textura BEM estranha tipo “baba de quiabo” – e o tal do Homus que achei ser a clássica pasta de grão de bico mas era, na verdade, uma “sopa” no copo com grão de bico no fundo e uma considerável dose de pimenta… Mas não me arrependi: não seria a mesma pessoa se não tivesse experimentado.

 

O ponto é que, como um todo, é necessário ter mente aberta quando se vai para fora do país, especialmente para um lugar de cultura e tradição extremamente diferentes. Lembro quando sai do Brasil convicta de que eu não chegaria perto de um restaurante que servisse pombo e, adivinhe só? Foi uma das coisas mais legais que eu comi – especialmente o arroz com especiarias que recheava a carne. Meu Deus, que saudade.

E como ninguém é de ferro – e mesmo sendo muito bom o estômago as vezes pede uma trégua de tanto condimento diferente – confesso que me rendi ao MC Donalds algumas vezes. Afinal, quando é que no Brasil eu ia comer Big Mac de Chicken Crispy num combo tamanho gigante por menos de 20 REAIS? Sim. Na verdade era esse o preço médio de qualquer BOA refeição por lá (a mais cara que paguei foi 50 reais com entrada, prato principal, salada extra, bebida e sobremesa). Em geral é muito barato. Tudo. O que me permitiu comer como rainha em todo o decorrer. Isso sem contar as comidas tradicionais de lá que comentei anteriormente que custavam cerca de uns 10 reais quando muito.

 

Vale comentar também dos Snacks e das bebidas que era sempre bom ter nos intervalos (os hábitos e horários são muito diferentes, e como sou esfomeada sempre tinha um plano de fuga). As batatinhas chips são inexplicavelmente melhores que qualquer salgadinho daqui – especialmente a de tomate e a de vinagre; e os chocolates… Quanta guloseima legal. Por quanto? No máximo 2 reais! E os sucos? Absurdos! Romã, Guava (goiaba branca)… Além dos refrigerantes em fantásticas variações (feitos com polpa de fruta, com direito a gominhos em meio ao gás). Até as coisas mais bizarras fizeram meu olho brilhar, no fim das contas. Entre asinhas de frango frito e leite com castanhas, entre chá é muita shisha (narguilé, no Brasil), é do contexto todo que eu nunca vou esquecer.

 

O que eu posso dizer pra resumir é que é preciso se entregar. Vai vivendo sem se preocupar, sabe como? Hoje me sinto alguém muito diferente, abençoada pela oportunidade de vivenciar cada momento – inclusive os perrengues. Sou muito grata por ter tido coragem de experimentar cada coisinha e, mais que isso, por fazer de cada gosto amargo uma provocação pra querer mais. Surpreendentemente, volto pra casa com até alguns quilos a menos… Mas com uma bagagem dentro de mim digna de pagar excesso.

Gabriela Coutinho – @gm_coutinho

A Gabi é assessora do Diogo e viajante do mundo!

  1. Responder
    mar 25, 2017

    Quanta comidaaaaa, me deu vontade de provar tudoooo, socoroo <3

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